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terça-feira, 27 de maio de 2008

Nas ruinas de Olimpia

Hoje, continuaremos a série de histórias olímpicas, com a realização da prova do arremesso de peso feminino nos Jogos Olímpicos de 2004. Dois fatos marcaram a prova: O primeiro foi o local de disputas, o Estádio Olímpico de Olimpia, onde eram disputadas as provas na antiguidade. O segundo, que a campeã da prova foi pega no exame antidoping.
O fato das Olimpíadas acontecerem na Grécia faz com que os Jogos de 2004 despertem a história das Olimpíadas originais e dos eventos da Antiguidade. Poucos, no entanto, tiveram a oportunidade de competir no palco onde se consagravam os primeiros heróis olímpicos, aqueles que eram considerados os seres humanos que mais se aproximavam dos deuses.

A brasileira Elisângela Adriano esteve entre este grupo de privilegiados. Ela competiu no arremesso de peso em Olímpia, sítio arqueológico que recebeu as provas do atletismo nos jogos da Antiguidade. No fim, a brasileira não passou de uma 21ª posição.A prova marcou a "pré-estréia" do atletismo em Atenas-2004. A modalidade começaria a ser disputada oficialmente dia 20, já no Estádio Olímpico de Atenas.

Como o arremesso de peso acontecerá fora de Atenas -e muitos dos competidores da prova participam também de outras modalidades-, o calendário fugiu do tradicional, que concentra os eventos do atletismo no mesmo período.A prova do arremesso de peso feminino causou o primeiro escândalo de dopping da competição. O mais interessante é que a atleta pega não foi a campeã, muito menos uma medalhista nem sequer uma finalista. A arremessadora Olga Shchukina, do Uzbequistão, foi flagradano exame antidoping utilizando-se da substância proibida clenbuterol. Shchukina, de 27 anos, participou da prova do arremesso de peso, e ficou na última colocação.A uzbeque alega que ingeriu um xarope para tosse antes do início das Olimpíadas, e que não sabia que havia consumido uma substância ilegal.


Dias depois, veio a informação mais importante. A russa Irina Korzhanenko, campeã olímpica do arremesso de peso, perdeu a medalha de ouro conquistada por ter sido flagrada em um exame antidoping. A informação foi divulgada pelo presidente da comissão antidopagem do própriio Comitê Olímpico Russo.
De acordo com Nick Davies, diretor da comissão antidopagem da Federação Internacional de Atletismo, Korzhanenko utilizou o mesmo esteróide anabolizante que o canadense Ben Johnson, que perdeu o ouro na prova dos 100 m rasos nas Olimpíadas de Seul-1988 após ser reprovado no exame antidoping.

Uma prova num lugar tão mágico e importante para a história não só do esporte, como do mundo, foi testemunha de mais uma das inúmeras irregularidades ocorridas no esporte.

Agradecimento especial ao meu professor de inglês, Fábio, que gentilmente me cedeu suas fotos tiradas no histórico estádio.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

A França em 1968

O ano de 1968 foi marcado historicamente pelas manifestações por todo o mundo, principalmente na França. E no mesmo ano, a mesma França dominou o ciclismo nos Jogos Olímpicos de 1968, no México.
Um policial de Bourg en Bresse, vilarejo a norte de Lyon, dono do bronze nos Jogos de Tóquio em 1964, Daniel Morelon ficou com a medalha de ouro na prova de velocidade vencendo o soviético, recordista mundial da prova, Omari Phakazde nas semi finais para depois, na final ,vencer o italiano Giordano Torrini e ficar com a medalha de ouro, a primeira de seu tri campeonato olímpico em 1968, nos Jogos do México.

Na mesma cidade do México, nos 1000 metros contra o relógio, vitória de Pierre Trentin, com novo recorde olímpico e mundial da prova, com o tempo de 1min03s91. Em mais uma prova, um recordista mundial da prova, ficou sem a medalha de ouro. Gianni Sartori, que tinha o tempo de 1min04s61 ficou apenas na quarta posição, com um tempo apenas 0s04 pior que seu recorde. A prata foi do dinamarques Niels Fredbourg, que fez 1min04s61 enquanto o bronze para Janusz Kierzkowski com 1min04s63.

No tendrem, prova já extinta do programa olímpico, a dupla francesa Daniel Morelon e Pierre Trentin ficou com a medalha de ouro fechando os últimos 200m abaixo do tempo de 10s, com 9s83 e fazendo história.
Na perseguição individual, o principal favorito era o italiano Cipriano Chamello, mas ele acabou caindo nas quartas de finais diante do dinamarques Mogens Frey Jensen, que nesta prova bateu orecorde mundial e passou a ser favorito ao ouro. Mas, como no esporte nem sempre o recordista e favorito que vence, ele acabou com a prata perdendo a final para o francês Daniel Robillard.
A prova de perseguição por equipes foi a única derrota francesa no ciclismo pista da Cidade do México. Um sorteio complicado colocou logo de cara as duas equipes favoritas ao título, Itália e Alemanha Ocidental, se enfrentando e uma sairia do torneio. Com o tempo d e4min15s60, os alemães bateram o recorde mundial e eliminaram os italianos que, mesmo com a derrota, também haviam feito um tempo melhor do que o antigo recorde.

Na mesma etapa, quartas de finais, os franceses caíram foram e não lutaram pelo título da prova, que na final ficou com os dinamarqueses, que comendo pelas beradas, venceram a final contra os alemães
Um fato inusitado definiu a medalha de ouro olímpica da prova de perseguição por equipes dos Jogos de 1968, no México.Nesta edição dos Jogos, o sorteio das chaves colocou as duas melhores seleções do torneio na mesma chave, para disputarem as semi finais. Alemães do ocidente e italianos travaram uma disputa acirradíssima nas semi finais, cujo os germânicos bateram em mais de 3s o recorde mundial o recorde mundial que pertencia aos italianos desde as quartas de finais do torneio olímpico.


Com isso, na final, os alemães entraram como franco favoritos em cima dos dinamarqueses, que bateram nas semi finais os soviéticos. Logo no começo da prova, os alemães colocaram quatro segundos de frente dos escandinávios quando Juergen Kissner, da Alemanha, tocou as costas de seu companheiro Kalle heinrichs. Um fiscal, da Alemanha Oriental, viu o ocorrido e imediatamente desqualificou os dois atletas. Os outros dois atletas continuaram pedalando e chegaram com uma vantagem muito superior á frente dos adversários.

Após a prova, sucedeu um longo debate a respeito do empurrão, com os dinamarqueses acusando de ter aumentado a velocidade do companheiro, melhorando o desempenho da equipe. Sem outras testemunhas, os organizadores mantiveram a decisão do fiscal oriental e o ouro foi para a Dinamarca.Kissner, autor do empurrão, era alemão oriental, mas havia se exilado no país vizinho.A política influindo nos resultados olímpicos no auge da guerra fria.

sábado, 3 de maio de 2008

Uma lenda chamada Carl Lewis


Na década de 1980, Pelé foi eleito o atleta do século XX. Indiscutivelmente o melhor jogador de todos os tempos do esporte mais popular do mundo, Édson Arantes do Nascimento foi campeão da copa do mundo de futebol por três vezez, mas sequer disputou uma olimpíada.Como pode ser eleito o maior atleta do século, um esportista que nunca entrou numa vila olímpica? Para muitos, o atleta do século é o norte americano Carl Lewis. O super campeão ganhou 10 medalhas olímpicas, nove delas de ouro além de vencer oito vezes o campeonato mundial, chegando ainda duas vezes em segundo.
O salto em distância foi sua grande prova. Em Los Angeles-1984, o atleta vinha de 37 vitória seguidas na prova, e repetiu a dose na primeira olimpíada de sua carreira. Logo no primeiro salto, chegou á 8m37 e com esta marca ficaria com ouro. Porém, conseguiu melhorar seu salto 8m54 e resolveu abdicar de seus outros saltos, para se poupar para a prova dos 200m rasos. Ficou 0,30m á frente da medalha de prata.
Em 1988, melhorou sua marca para 8m72 e ficou com o bi campeonato. Nos Jogos seguintes, Michael Powell quase tirou o ouro do mito, mas ficou 3cm atrás, saltando 8m64 contra 8m67 do campeão.
O tetra campeonato veio em Atlanta. A prova tinha como franco favorito o americano Mike Powell, correndo por fora com boas chances de medalha estariam o cubano Juan Pedroso, o jamaicano James Beckford, o brasileiro Nelson Ferreira e o também americano Joe Greene; mas não Carl Lewis. Desde sua vitória em Barcelona, Lewis não havia feito praticamente nada. O final da história todos já conhecem, Lewis ganhou seu 4º ouro consecutivo no salto em distância e igualou o feito de Al Oerter, que no disco foi tetra-campeão olímpico de 56 a 68.Em 1984, além do salto em distância, venceu os 100m, os 200m e o revezamento 4×100m. Nos Jogos da Coréia, Carl Lewis apenas não repetiu o feito nos 200m (prata). Nesta olimpíada aconteceu o episódio que talvez tenha sido o mais comentado da história olímpica; a final dos 100m rasos assistiu o espetacular duelo de Carl Lewis com Ben Johnson, o vencedor que posteriormente foi desclassificado quando não passou no teste de drogas.
Em 92, aos 31 anos, conseguiu a última vaga dos americanos no revezamento 4×100m e ficou com o ouro nessa prova, mas não disputou no individual.Em Atlanta, já aos 35 anos, venceu a única prova que disputou, o salto em distância.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Aida, uma vitoriosa sem medalha

O blog O mundo em Pequim continua sua série de histórias olímpicas contando agora a tragetória de uma das maiores atletas que nosso país já teve, Aida dos Santos.

O salto em altura feminino dos Jogos Olímpicos de 1964 teve a medalha de ouro para a romena Iolanda Balas, com 1m90, 10cm mais alta que a marca obtida pela australiana Mason Brown, que foi prata. O bronze foi para a soviética Taisiya Chenchik, que saltou 1m78.
Porém, para nós brasileiros, ou até para o mundo, o que mais importou nessa prova foi o quarto lugar de Aida dos Santos. A heroina brasileira era a única mulher na delegação de 81 homens do Brasil e tinha saltado apenas 1m53 no pan de São Paulo no ano interior, ficando apenas na quinta posição.
Diante de quase 70.000 pessoas no Estádio Olímpico de Tóquio, Aida era a única negra no grupo de 11 saltadoras finalistas da competição(ao todo foram 27 atletas). Mauricio Cardoso em seu livro “Os arquivos das Olímpiadas” descreve bem a final daquele dia 15 de outubro”Depois de alguns saltos, a barra é colocada a 1m70 do chão. Aida se prepara, corre e salta. Passa, Aida chora. Chora de novo depois de superar a barra a 1m72.E outra vez quando salta 1m74. Chora igual, nem mais alegre, nem mais triste, quando falha na terceira e última tentativa no 1m76.”
A quarta colocação da brasileira foi a melhor de todos os tempos de uma atleta individual, a até aquele momento era a melhor posição de quanquer mulher brasileira em qualquer prova olímpica.
Não tinha amigas, não tinha técnico, nem massagista, nem nada. Era sempre única. Para treinar ou competir no Japão Aida estava sempre só. Não recebera nenhuma uniforme oficial. Em dia de competição, usava um antigo, sobrevivente do último torneio sul-americano. Um fato curioso foi que a Adidas, ao descobrir das sapatilhas da atleta, deu uma de graça, mas para corridas de velocidade e não para saltos.
Durante a sessão de saltos, torceu o pé. Como não tinha médico, foi ajudada pelo médico da delegação cubana após o corredor dos 100m do país, Enrique Figueroa(que ficou em segundo na sua prova) vê-la no chão e chamar seu médico.

Sua presença na delegação brasileira era quase uma contravenção nos olhos dos oficiais. “Parece que não queriam me levar porque eu sou preta”- diz Aida a respeito dos Jogos de 64.

Hoje, Aida tem um reconhecimento grande, mas menor do que ela merece. Em 2006, ganhou uma homenagem do Comitê Olímpico Brasileiro. No ano seguinte, passou seu prêmio adiante, para André Richer, outro ex-atleta que continua se dedicando ao esporte.

E as coisas boas de Aida não param por aí. Além de sua filha, Waleska, ter feito parte da seleção de volei feminino bronze em Sydney 2000, ela dirige o instituto Aida dos Santos, uma entidade sem fins lucrativos que tem como principal objetivo proporcionar à crianças e adolescentes de baixa renda, entre 7 e 16 anos, condições de inclusão social por meio do esporte, através de duas modalidades: atletismo e voleibol.

Aida, uma heroína brasileira que dedicou toda sua vida ao esporte!

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Virou piada

No mundo do tiro, circula a piada do atirador trapalhão. Vamos á ela: Num torneio de tiro, no qual o atirador tem que destruir a maçã colocada na cabeça de um cidadão qualquer, o primeiro vai lá e acerta na mosca e grita: I AM the best! Todos aplaudem! O segundo atira e assim como o primeiro acerta facilmente, gritando: I AM the winner. O terceiro faz a mesma coisa e solta a garganta: I AM the best! Foi quando o atirador trapalhão atirou e matou o tal do cidadão. E gritou: I AM sorry. Nos Jogos olímpicos de Atenas ninguém morreu, a não ser de rir.

Emmons, de 23 anos, era considerado a revelação do torneio e numa atuação irrepreensível, havia conquistado a medalha de ouro na prova de carabina deitado.Depois de terminar em segundo lugar na fase de classificação da carabina 3 posições, o norte-americano foi quase perfeito nos nove primeiros tiros da bateria final e abriu três pontos de vantagem sobre o chinês Jia, uma marca praticamente inalcançável.Mas, no último dos dez tiros , recebeu pontuação zero. Houve uma confusão inicial, e Emmons checou sua arma, acreditando que houve algum problema no placar. “Isso acontece. É o esporte. São os Jogos Olímpicos. “, disse Emmons, após a prova.

Os juízes foram então até Emmons, na pista 2, e examinaram sua arma. Eles estavam para autorizar o atleta a dar novo tiro quando perceberam que dois tiros foram registrados no alvo da pista 3, à direita. A nota zero foi confirmada, e Emmons caiu para oitavo.

“Achei que houve um problema no alvo, o que acontece de vez em quando. Não pensei que pudesse acontecer um tiro cruzado porque isso quase nunca acontece“, disse Emmons. “Os juízes pensaram que o tiro não foi registrado por alguma razão e queriam que eu atirasse de novo. Eles não perceberam que havia dois tiros no mesmo alvo.” Inicialmente, acreditou-se que o tiro errado tivesse ajudado o austríaco Christian Planer a conquistar o bronze. Planer estava em quinto lugar, e seu último tiro foi considerado o melhor na série final de dez.

Foi na mosca, dando-lhe 10,6 pontos. Com isso, totalizou 1262,8 pontos e superou por apenas 0,2 ponto o quarto colocado.Depois de estudar replay, os juízes concluíram que Planer de fato deu o disparo que valeu 10,6. Também concluíram que o tiro de Emmons teria valido 8,1 -o que, se fosse no alvo certo, teria lhe dado o ouro.”Normalmente eu olho [pela mira] no número sobre o alvo e então abaixo para mirar. No último tiro, não olhei para o número antes. Estava apenas tentando me manter calmo para o último disparo. Deveria ter olhado”, disse o norte-americano.Segundo ele, essa foi a primeira vez que deu um tiro cruzado nos últimos seis anos.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

O primeito tetra seguido

Continuando a série de histórias olímpicas, o blog trás a história de um dos maiores nomes da história do atletismo mundial, do americano Alfred Oester, tetra campeão no arremesso de disco nas décadas de 1960 e 1970.

O americano Alfred Oerter nasceu em Nova York no dia 19 de setembro de 1936 e logo aos 18 anos de idade já detinha o recorde nacional juvenil do arremesso de disco, prova em que ele se tornaria famoso anos mais tarde sendo o primeiro tetra campeão olímpico do atletismo.

Começou sua vida no ano em que Jesse Owens calou milhares de alemães, inclusive o chanceler da Alemanha, o austríaco Adolf Hittler, nascendo 47 dias depois do ocorrido e acabou sua trajetória no esporte graças ao boicote de seu paía aos Jogos de Moscou em 1980.Com este recorde, conseguiu bolsa na universidade de Kansas, evoluiu incrívelmente chegando aos Jogos Olímpicos de 1956 com chances de medalha mas não favorito ao ouro.
Porém, com a imponente marca de 56m36 logo no primeiro arremesso bateu o recorde olímpico e desconcentrou o favorito Adolfo Consolino, que terminou em sexto, o americano Fortune Gardien, que ficou em segundo, e Desmond Koch, que foi terceiro colocado. No pódio, a emoção foi tamanha que desabou após receber a medalha.

Mal ele sabia que ele receberia tantas e tantas medalhas durante a vida. Apesar de ser o atual campeão olímpico, Oerter não chegou como favorito aos Jogos de 1960, em Roma. O recorde mundial pertencia á dois atletas, o polonês Edmund Piatkowvski e o americano Richard Bakka. Oerter vinha de um terrível acidente automobilistico em 1957 mas chegou abalando, batendo o recorde mundial logo no aquecimento, quando arremessou mais que os 59m01 de seus adversários. No arremesso que valeu, lançou a 59m18 batendo o recorde mndial e olímpico, conquistado o segundo de seus quatro títulos olímpicos.
Em 1964, Oerter foi para o Japão disputar sua terceira olimpíada. Mais uma vez, não era o principal favorito pois o tcheco Ludvik Danek vinha como portador do recorde mundial da prova. Nos quatro anos entre os Jogos de Roma e Tóquio, o recorde mundial melhorou quase 5m.

Em 62, Oerter lançou o disco a 61m09 ficando com a melhor marca da história até o momento. Porém, 17 dias depois, o soviético Vladimir Trusennov bateu o recorde, mas só teve direito de comemorar por 27 dias pois o campeão olímpico viria a batê-lo mais uma vez, chegando a 62m45. A marca vigorou até agosto de 1964(os Jogos foram em outubro), quando o tcheco Ludvik Danek conseguiu sua 45ª vitória consecutiva em torneios da Europa lançando incríveis 64m54.Era natural que o tcheco conseguisse o ouro, até porque Oerter estava contundido no abdomen e no pescoço e os médicos o vetaram da competição, ação não aceita pelo atleta que preferiu por disputar a prova.
O disco havia o pegado. Não o disco que arremessa e sim a hérnina de disco. Anestesiando-se com novocaína e empacotando o peitoral com sacos de gelo para não ter hemorragia, o herói olímpico estava na terceira posição quando no quinto dos seis arremessos lançou 61m00, garantiu recorde olímpico e o ouro da prova.

Quatro anos mais tarde, na Cidade do México, aos 32 anos Oerter mais uma vez chegou sem ser favorito a prova, já que seu compatriota Jay Silvester era o maior indicado para a medalha já que tinha um arremesso superior á 68m, enquando o tri campeão olímpico nunca havia passado dos 63m. Sob fortes chuvas, a prova foi atrasada em quase duas horas, para a irritação de Silverter e do tcheco Danek, mais uma vez rival no arremesso de disco. Na terceira rodada de tentativas, Oerter lançou 64m78 no melhor arremesso de sua vida e deixou Silverter abalado, queimando suas três últimas tentativas e não passando de um quinto lugar com 61m18. Retirou-se do atletismo em 1968, mas voltaria ainda a assombrar o mundo do lançamento do disco doze anos mais tarde, em 1980, quando aos 43 anos tentou novamente a qualificação para os jogos de Moscou, ficando em quarto lugar no pré olímpico americano e conseguindo o melhor lançamento de sua vida, 69,43 m.

Porém, o presidente americano Jimmy Carter coordenou o boicote americano aos Jogos de Moscou pela invasão dos soviéticos ao Afeganistão.
Ele recebeu sua última honraria internacional quando foi escolhido para ser um dos carregadores da tocha dentro do Estádio Olímpico de Atlanta nos Jogos de 1996 aos 59 anos de idade.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

O único bi-bi da velocidade olímpica

Continuando a série de histórias olímpicas, hoje teremos as principais conquistas do russo Aleksander Popov, o único atleta a vencer por duas vezes seguidas as provas dos 50m e 100m livre numa olimpíada.

O russo Aleksander Popov foi durante anos a pedra no sapato de Gustavo Borges e Fernando Sherer no sonho do ouro olímpico. Nascido em Volgograd, na Rússia, no dia 16 de novembro de 1971, dominou a natação mundial nas provas de velocidade durante os anos 90.
Antes de se especializar como um nadador de livre, Popov nadava costas. Chegou a superar a melhor marca mundial dos 50 costas em piscina curta em 1994 com 24.66. Não antes de ficar com os ouros olímpicos nas olimpíadas de Barcelona 1992, nos 50m e nos 100m livre, nesta última superando o brasileiro Gustavo Borges, medalha de prata, em mais de quatro décimos. o tempo final de Popov nos 100 livre foi 49.02. Sua volta foi de 24.99, a primeira vez que um homem conseguia cumprir a segunda metade da prova abaixo dos 25 segundosEm Atlanta, repetiu os dois títulos.


Mostrando sua versatilidade, o foguete russo conseguiu, abrindo o revezamento 4×100 medley para a Rússia, em Atlanta/1996, fez um singelo 55.71. E, em uma entrevista para a revista NADAR, em 1994, quando perguntado sobre seus objetivos, não titubeou: “bater o recorde mundial dos 100 costas”. Não chegou muito perto disso, mas continuou insaceável no nado livre.A data de 24 de agosto de 1996 permanecerá para sempre na memória do nadador. Não por ter sido a data de uma de suas grandes conquistas, mas pelo fato de ter sido nessa noite que Alexander Popov foi ferido no estômago por uma facada, quando retornava de uma festa de aniversário e caminhava pelas ruas de Moscou.Sua recuperação e o posterior retorno às competições foi doloroso.

Mas Popov teve persistência e recebeu o reconhecimento na Austrália, a terra que o acolheu por tanto tempo. Na Austrália, conseguiu a prata nos 100m livre, perdendo apenas para o grande nome da natação naquele momento, o holandês Peter Van den Hoogenband. Nos 50m livre, decepcionou e terminou na sexta posição, apesar de ter batido em maio daquele ano o recorde da categora

Quando todos achavam que Popov estava acabado, ele resurgiu no mundial de 2003, onde conseguiu ouro nos 50m livre com 21s92 e nos 100m com 48s42.Mas, mais uma vez Popov surpreendeu. Quando todos achavam que ele chegaria ao tri campeonato olímpico, ele acabou sequer se classificando para a final dos 100m livre, prova que era campeão mundial, ficando na nona posição. Já nos 50m livre, não conseguiu sequer a vaga nas semi finais, ficando com o tempo de 22s58.No início de 2005, anunciou sua aposentadoria sem muitos holofotes, como era de costume do nadador cujo apelido era “homem de gelo”.

De 1991 a 2004, Popov conquistou nada menos que 26 medalhas em Campeonatos Europeus, recorde absoluto. Popov ainda defendeu uma incrível invencibilidade nos 100 livre em grandes campeonatos (Europeu, Mundial, Olimpíadas) de 1991 a 1999, quando foi derrotado pelo holandês Pieter van den Hoogenband no Europeu de Istambul.Seu recorde mundial dos 50 livre (21.64), de maio de 2000, era o recorde masculino mais antigo em piscina de 50m, mas foi recentemente superado várias vezes.

terça-feira, 15 de abril de 2008

A derrota de uma lenda

O russo Alexander Karelin foi o protagonista de uma das maiores surpresas da história das Olimpíadas ao perder a final dos Jogos Olímpicos de Sydney 2000 para o americano Rulon Gardner.
Invicto desde 1987, Karelin lutava por sua quarta medalha de ouro consecutiva na final da categoria 130 kg, mas acabou derrotado pelo norte-americano Rulon Gardner por 1 a 0. Com o resultado, Gardner levou o ouro que todos pensavam ser de Karelin, deixando para ele apenas a prata. A medalha de bronze foi para o bielo-russo Dmitry Debelka, que venceu o israelense Juri Yevseychyc por 1 a 0 na disputa do terceiro lugar.

A repercursão da derrota foi enorme. O então presidente russo Vladimir Putin, disse após a derrota da lenda, que o lutador Alexander Karelin,continuava sendo "o guerreiro imbatível da Rússia"."Você é uma lenda viva das alturas do Olimpo. Quatro olimpíadas na vida de qualquer atleta é sempre um marco", disse Putin, praticante de judô, em telegrama enviado para a delegação russa em Sydney."

Conquistar três medalhas de ouro é um feito. Para todos os russos, para o mundo todo, você sempre será o guerreiro imbatível russo. Tenho certeza que seu espírito guerreiro vaia judá-lo a alcançar novas conquistas".
‘‘A última vez que perdi foi em 1987, quando fui derrotado por Igor Restorozki, que era o campeão da União Soviética’’- Contou o russo antes dos Jogos de 2000. A partir daí, só vitórias. As mais importantes, contra o norte-americano Matt Ghaffari.Em 1996, o atleta dos EUA perdeu uma final para o russo pela 13ª vez consecutiva. Não aguentou e caiu em lágrimas.‘‘Ele foi meu grande adversário. Quando você tem um bom oponente pela frente, tem mais estímulo para treinar’’, afirmou Karelin.

Dou outro lado da moeda, Gardner foi festejado. Foi recebido como um herói em Afton. sua cidade natal localizada no Estado de Wyoming. Os governadores dos Estados de Wyoming, Utah, Idaho e Colorado, além de Dick Cheney, candidato a vice-presidente dos EUA ao lado do republicano George W. Bush, estiveram presentes na recepção do campeão.

A alegria pela vitória em Sydney, porém, durou pouco. Em 2002, ele teve de amputar um dedo do pé após um acidente com um trenó de neve. Ele perdeu o controle do veículo, bateu e ficou exposto a 30 graus negativos no meio do estado de Wyoming.Ficou na neve durante 18 horas até ser resgatado. Um dos dedos do meio de seu pé direito, porém, já estava congelado.Para completar, e m2003 ele sofreu uma luxação no ombro, após um acidente de moto. Isso, enquanto se acostumava a lutar com um dedo a menos, o que muda o centro de equilíbrio em algumas posições da luta greco-romana.

Nos Jogos da Grécia, Gardner encerrou a carreira nos Jogos de Atenas 2004 o norte-americano ficou com a medalha de bronze, após bater o iraniano Sajad Barazi. Na semifinal, o lutador, maior favorito ao ouro na categoria 120 kg, perdeu para um novato, o cazaque Georgiy Tsurtsumia.

domingo, 13 de abril de 2008

A maior final olímpica

Hoje o blog tras mais uma história olímpica. E desta vez uma das mais polêmicas e confusas de todos os tempos, na final do basquete masculino dos Jogos Olímpicos de 1972. Depois de sete títulos seguidos, os americanos não se preocuparam em levar para Munique, em 1972, seu melhor time. De toda forma, foi da mais injusta forma que perderam a medalha de ouro olímpica num dos episódios mais polêmicos da história olímpica.

Os americanos passaram por oito participantes até chegar a grande final, levando apenas 44 pontos por partida na média. Num jogo bastente equilibrado e com poucas cestas, os segundos derradeiros chegaram e a partida estava 49×48 para os soviéticos. A posse de bola era soviética, mas Sasha Belov entregou a bola nas mãos do americano Doug Collins, que no contra ataque conseguiu levar a falta, convertando seus dois lances livres, deixando os yankees na frente por 50×49.

A URSS repôs a bola em jogo, mas não conseguiu reagir, pelo contrário, perdeu a bola com um segundo de cronômetro, deixando os americanos a desdendarem na festa. A partir daí, surgiram diversos episódios até hoje mal explicados que deixaram os americanos com a prata. Na mesa de cronometragem, o técnico russo Kondrashin gritava com os chefes da cronômetragens e o árbitro, o brasileiro Renato Righetto, que com um auxílio de um intérprete conseguiu passar a mensagem de que havia pedido um tempo depois dos arremessos livres do norte americano, no fim da partida.


Quando Renato havia dado como certa a vitória soviética, a Federação Internacional de Basquete interveio determinando que o relógio voltasse para os 3s após a queda da cesta americana e que o jogo seguisse daí. Obviamente, como sabiamente disse Silvio Lancelotti em seu livro “Olimpíadas 100 anos”, a autoridade da FIBA se circunscrevia ás questões extra quadra. Com a nova cronometragem no placar, os soviéticos tiveram a chance de virar a final olímpica. Nem o lance mais ensaiado daria certo em tal circunstância. Mas deu certo. Edeshko fez um lançamento incrível nas mãos de Belov, que teve 1s para penetrar na defesa americana e jogar a bola na tabela. A pelota rodopiou o aro e caiu, dando vitória aos vermelhos.


Anos depois, muitos especialistas ainda discordam sobre essa final. Uns dizem que o britânico, presidente da FIBA, Willian Jones deu as cartas mandando voltar a bola soviética apenas para se eternizar no cargo, consegundo apoio dos soviéticos e de seus satélites. Os norte americanos sequer foram á entrega de medalhas, e estas estão guardadas num cofre na sede da FIBA.Outros especialistas dizem que no último segundo, Belov cometeu uma falta ao infiltrar-se no garrafão americano. Mas que juiz marcaria uma falta nessas circunstâncias, depois do presidente da FIBA praticamente invadir a quadra, que daria a falta?


Aos jogos de 76, os americanos estavam prontos para vingar-se dos soviéticos, mas uma zebra nas semi finais, a Iuguslávia, eliminou a equipe campeã em 72 dos Jogos, fazendo uma fria final entre Iuguslavos e americanos.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Duas visões de uma campeã

Começando as postagens de histórias olímpica, hoje veremos a história de uma alemã oriental na década de 1970 que assumiu que usava dopping quando o muro de Berlim caiu.
O nome Kornelia Ender tem duas visões antagônicas dentre os historiadores olímpicos. A primeira visão é a que a alemã oriental se dopou para conquistar suas oito medalhas olímpicas enquanto a segunda a coloca como a principal nadadora da história mundial.Nos dias de hoje, não é segredo para ninguém o sistema de dopagem das atletas alemãs-orientais nas décadas de 70/80, que culminou com uma avassaladora supremacia da nação na natação feminina mundial. As suspeitas se iniciaram em 1976, quando as nadadoras do país, que não tinham conquistado nenhuma medalha de ouro nas Olimpíadas de 1972, venceram nada menos que 11 das 13 provas disputadas nos Jogos de Montreal.
Os americanos, principalmente, acusaram as nadadoras de serem muito musculosas e masculinizadas. Quando caiu a cortina de ferro, em 1989, detalhes do esquema de doping foram revelados - incluíam injeções e pílulas de origem desconhecida para as nadadoras e contratos forçando as atletas a não ter nenhum contato com os “capitalistas estrangeiros do Ocidente”. Nadadoras tiveram que se submeter a uma série de cirurgias para reparar os danos que as drogas haviam feito ao seus corpos e processaram médicos e treinadoresÉ claro que o país tem seus méritos no desenvolvimento dos estudos do corpo, já que estava menos interessado no tema bélico, que atormentava a cabeça de americanos e soviético na época da guerra fria. O desenvolvimento de estudos como o acúmulo de ácido lático nos treinamentos se deve muito aos alemães.

Claro que essa obsessão para formar grandes atletas chegou ao extremo e culminou no maior escândalo da história da natação.Uma das nadadoras mais bem sucedidas da época foi Kornelia Ender. Em 1976, ela se tornou a primeira mulher a conquistar quatro medalhas de ouro em uma Olimpíada. Treze anos depois, ela foi uma das que declarou que recebia pílulas e injeções.
Outra visão a vê como heroina. Ender conquistou nada menos do que oito medalhas olímpicas - nas Olimpíadas de Munique e Montreal. Como uma verdadeira menina prodígio, conquistou sua primeira medalha olímpica aos 13 anos.

Mas o feito de Kornelia Ender representou muito mais para a história da natação. Foi a primeira mulher a conquistar quatro medalhas de ouro em uma mesma Olimpíada. Talvez, o mundo tivesse sido privado de testemunhar esse feito. Com um problema congênito no quadril, Ender deu início à carreira. A aplicação da aluna foi espantosa. Com a disciplina necessária e o talento natural experimentado apenas pelos campeões, Ender surgiu ao mundo na Olimpíada de 1974. Com apenas 13 anos, ela não decepcionou. Ajudou seu país a conquistar duas pratas por equipe e ainda conquistou sua medalha individual, também de prata nos 200m medley.Em Montreal, quatro anos mais velha, conquistaria o mundo ao trazer de volta para a Alemanha Oriental quatro medalhas de ouro.

Ender arrebatou as medalhas de ouro nos 100 e 200m livre, além dos 100 borboleta e do revezamento 4×100m medley, além de uma prata no revezamento 4×100m livres.Kornelia estabeleu 29 recordes mundiais e oito títulos mundiais em três anos. Nos 100m livre, baixou o tempo 10 vezes.
Obviamente, na obscuriedade do regime da Alemanha Oriental nada pôde ser provado na época mas era a busca da supremacia olímpica por parte dos países da cortina de ferro. Embora as outras 13 nadadoras alemãs que arrebataram medalhas não tivessem assumido o uso do doping, fica difícil acreditar que Kornélia fosse a única compatriota na qual a “bem sucedida” trapaça teria sido aplicada.Nunca se saberá até onde ia o talento de Kornelia e onde começava a fraude da indústria do dopping da Alemanha Oriental.